Investigação aponta que dinheiro teria sido retirado das contas de uma empresa durante três meses. Suspeito teria usado parte dos valores em apostas esportivas
Um rombo milionário acendeu o alerta dentro de uma empresa de Pouso Alegre e levou a Polícia Civil a prender preventivamente, na manhã desta quinta-feira (8), um contador suspeito de desviar pelo menos R$ 1,7 milhão dos cofres da companhia. O caso chama atenção não apenas pelo valor envolvido, mas pela forma como as movimentações teriam sido realizadas e pela suspeita de que o investigado continuou tentando movimentar dinheiro ligado à empresa mesmo depois de ser demitido.
Segundo a Polícia Civil, o homem trabalhava havia aproximadamente dez anos na indústria de panificação UltraPão, onde exercia as funções de contador e coordenador financeiro. Por causa do cargo, ele tinha acesso às contas bancárias e às movimentações financeiras da empresa.
A investigação começou depois que representantes da companhia procuraram a polícia, em 30 de setembro, após uma auditoria interna identificar transferências consideradas suspeitas. Os levantamentos apontaram que valores das contas empresariais teriam sido enviados para contas particulares ligadas ao funcionário.
Inicialmente, a auditoria identificou um prejuízo de aproximadamente R$ 1,68 milhão em apenas três meses. A Polícia Civil, porém, trabalha com a possibilidade de que o valor seja maior.
De acordo com o delegado responsável pelo caso, Renato Gavião, o período analisado até agora pode não representar toda a extensão das movimentações. O investigado teria autonomia financeira na empresa desde 2024.
Dinheiro teria sido perdido em apostas
Durante a apuração, o contador teria relatado informalmente à polícia que utilizou os valores em plataformas de apostas esportivas e que, depois de perder dinheiro, fazia novas transferências na tentativa de recuperar os prejuízos e devolver os recursos à empresa.
A versão ainda está sendo investigada e a Polícia Civil não confirmou que todo o dinheiro desviado tenha sido utilizado em apostas.
Uma das linhas da investigação é justamente descobrir o destino dos valores e verificar se o dinheiro foi efetivamente perdido em plataformas de apostas ou transferido para outras contas.
O investigado também teria informado que realiza acompanhamento psicológico e psiquiátrico relacionado a problemas com apostas. Ele ainda teria mencionado despesas de aproximadamente R$ 70 mil com uma cirurgia do filho.
Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi a suspeita de que o homem teria continuado tentando obter recursos ligados à empresa mesmo depois de deixar o cargo.
Segundo a Polícia Civil, ele teria criado uma chave Pix com um endereço de e-mail semelhante ao utilizado pela empresa, mas vinculada a uma conta sob seu controle.
A partir disso, teria entrado em contato com clientes e parceiros comerciais solicitando pagamentos. Em um dos casos investigados, documentos entregues à polícia indicam que ele teria solicitado R$ 900 mil a um cliente, por e-mail, pedindo que o valor fosse depositado em uma conta pessoal. A polícia agora apura se o pagamento chegou a ser realizado.






