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Cleitinho afirma que é candidato ao governo, mesmo com afastamento do Republicanos

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Candidatura poderá ser judicializada caso partido e senador mantenham suas posições de momento

Em pronunciamento em Divinópolis, na noite desta quarta-feira (29/7), o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) reafirmou que é pré-candidato ao governo de Minas, ao lado de Luís Eduardo Falcão (Republicanos), ex-presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), que seria o seu vice.

Segundo o senador mineiro, tem muita “conversa fiada” nesse momento pré-eleitoral. O senador disse que estava combinado de lançar a candidatura no dia 5 de agosto e que isso foi confirmado na convenção. Na manhã desta quarta, o partido Republicanos soltou uma nota dando a entender que Cleitinho poderia não ser candidato.

Na coletiva, ele  foi questionado se Euclydes Pettersen, presidente do Republicanos em Minas, teria sido pressionado pela direção nacional a mudar os planos, o senador disse que não poderia afirmar isso. “Não posso falar isso. Não sei o que aconteceu de ontem para hoje”, respondeu Cletinho, que em seguida disse esperar uma conversa com o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, para entender a situação.

Republicanos

Cleitinho Azevedo teve a pré-candidatura ao governo de Minas Gerais retirada pelo seu partido, o Republicanos, nesta quarta-feira (29/07) após se esquivar, ao longo de pelo menos um ano, de confirmar que pretendia realmente disputar o Palácio Tiradentes. Em nota conjunta divulgada pelos comandos nacional e estadual do partido, a legenda afirmou que uma candidatura exige “decisão firme” de quem pretende disputar uma eleição.

O partido vinha levando a indecisão de Cleitinho com certa paciência. A gota d’água, no entanto, aconteceu com o não comparecimento do senador na convenção do partido em Belo Horizonte no sábado (25/07).

O presidente nacional do partido, deputado federal Marcos Pereira (ES), não gostou do comportamento de Cleitinho. O parlamentar já havia entrado em atrito com o dirigente, em junho, quando o senador afirmou não confiar 100% que Pereira lhe daria a legenda para que concorresse ao governo de Minas. Cleitinho disse ainda ter “nojo” de tudo o que se refere a partido. As declarações foram dadas a O Globo.

O “conjunto da obra” de Cleitinho fizeram com que a nota sobre a não candidatura do senador fosse divulgada nesta quarta-feira. Aliados que o senador tem outros partidos disseram que, após a divulgação da nota, o senador chegou a tentar, sem sucesso, uma conversa com o presidente nacional do Republicanos.

Ao longo de toda a quarta-feira houve especulações sobre os motivos que levaram o Republicanos a afirmar que Cleitinho não disputará o governo de Minas. Para parte de aliados e adversários do senador ouvidos pela reportagem, houve traição, já que o Republicanos poderia passar a apoiar Marcelo Aro (PP), até então pré-candidato ao Senado, em uma disputa para o governo. Outra parte dos aliados e adversários falava sobre a possibilidade de um acordo do Republicanos com o senador, que não estaria interessado em levar adiante uma disputa pelo Tiradentes.

A nota do Republicanos foi divulgada após presidente nacional da sigla dizer que o  senador “perdeu o timing”. Candidatura exige decisão firme de quem pretende disputá-la, diz nota. O Republicanos afirmou ainda que “sempre tratou com entusiasmo” a possibilidade de Cleitinho disputar o governo mineiro, mas que esse entusiasmo “não foi correspondido até o dia da convenção”, no último dia 25, diz trecho da nota.

Cleitinho pode disputar por outro partido?

Após o Republicanos afirmar que Cleitinho Azevedo “perdeu o timing” para disputar o governo de Minas, surgiram dúvidas sobre a possibilidade de o senador poder trocar de partido para concorrer ainda este ano e possíveis efeitos disso.

Para registrar uma candidatura, a Lei das Eleições determina que o candidato esteja filiado ao partido pelo qual pretende disputar o pleito pelo menos seis meses antes da votação. Como as eleições de 2026 serão realizadas em outubro, esse prazo terminou em 4 de abril, de acordo com a consulta ao Tribunal Regional Eleitoral. 

Na prática, isso significa que, caso Cleitinho deixe agora o Republicanos para ingressar em outra legenda, ele não poderia disputar o governo por esse novo partido, já que não cumpriria o requisito mínimo de filiação.

Com informações de O Tempo